Marcela Caroline Oss1, Camila Xavier2 e Dr. Roni Quevedo3
Rastreamento visual em escolares do Instituto de Menores Dom Antônio Zattera: relato de experiência.
INTRODUÇÃO
A infância representa uma etapa fundamental do desenvolvimento humano, na qual ocorrem mudanças importantes, marcadas por transformações físicas, cognitivas, emocionais e sociais. A visão desempenha um papel essencial nesse processo, contribuindo para o desenvolvimento neuropsicomotor e social da criança. A presença de alterações visuais compromete a aprendizagem, o desempenho na escola e a interação com o ambiente. Por isso, a identificação precoce dessas alterações e o acompanhamento adequado são fundamentais para promover o desenvolvimento infantil saudável. Entre as causas de deficiência visual em escolares, destacam-se erros de refração não corrigidos. Sendo assim, os testes de acuidade visual são ferramentas acessíveis para o rastreamento de possíveis alterações visuais, favorecendo o encaminhamento para avaliação especializada, quando necessário.
OBJETIVO
Relatar a experiência vivenciada por estudantes de Medicina integrantes do projeto de extensão VI-VENDO na realização de testes de acuidade visual em crianças que frequentam o Instituto de Menores Dom Antônio Zattera (IMDAZ), em Pelotas/RS.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
As atividades do projeto de extensão VI-VENDO foram desenvolvidas por meio de visitas ao IMDAZ, envolvendo crianças do primeiro ao sexto ano do ensino fundamental. Durante os encontros, os estudantes realizaram testes de acuidade visual utilizando a tabela de Snellen, sob orientação e supervisão do médico responsável. Previamente às avaliações, os acadêmicos receberam orientações sobre a organização da atividade, a utilização adequada da tabela e a abordagem dos participantes Essa preparação teve como objetivo padronizar a aplicação dos testes, favorecendo a correta execução do procedimento e adequar a comunicação à faixa etária envolvida. Os testes foram realizados individualmente, com explicações simples sobre as etapas da avaliação e as respostas esperadas. Ao longo da atividade, observou-se a importância de adaptar a comunicação à idade e ao nível de compreensão de cada criança, a fim de favorecer sua participação e a adequada realização do teste. Diante de alterações leves, foi orientada a repetição do teste após três ou seis meses, a depender da conduta estabelecida pelo médico responsável. Nos casos em que foram identificadas alterações mais relevantes, as crianças foram encaminhadas para avaliação oftalmológica.
DISCUSSÃO
A experiência reforça a importância do rastreamento da acuidade visual na infância, visto que alterações visuais não identificadas podem repercutir no desenvolvimento global da criança e no desempenho escolar. As Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância, do
Ministério da Saúde, destacam a relevância da identificação precoce de disfunção da visão e do encaminhamento para avaliação oftalmológica quando indicado. Nesse contexto, a tabela de Snellen constitui um instrumento acessível para o rastreamento da acuidade visual, contribuindo para a identificação de crianças que possam necessitar de avaliação especializada. Sua utilização favorece o reconhecimento de possíveis alterações e o encaminhamento adequado, contribuindo para a continuidade do cuidado e para a integralidade da assistência no Sistema Único de Saúde (SUS), ao facilitar a identificação das necessidades de saúde e o acesso aos serviços necessários. Além dos benefícios relacionados à saúde infantil, a atividade evidenciou a importância de uma abordagem individualizada, com linguagem acessível e atenção às particularidades de cada participante. Para os estudantes, a experiência favoreceu o desenvolvimento de habilidades de comunicação e acolhimento fundamentais para a prática profissional humanizada. Entretanto, é importante ressaltar, que o rastreamento não estabelece diagnóstico, sendo necessária avaliação especializada diante de suspeita de comprometimento visual, conforme indicado pelas diretrizes do ministério da saúde.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A participação no projeto VI-VENDO proporcionou aos acadêmicos uma experiência prática voltada à promoção de saúde visual infantil, evidenciando a importância do rastreamento precoce e do encaminhamento adequado. Além disso, a atividade destacou o papel da extensão universitária na aproximação entre universidade e comunidade, contribuindo para uma formação médica mais humanizada e comprometida com as necessidades de saúde da população.
REFERÊNCIAS
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de atenção à saúde ocular na infância: detecção e intervenção precoce para prevenção de deficiências visuais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013.
2. Resnikoff S, Pascolini D, Mariotti SP, Pokharel GP. Global magnitude of visual impairment caused by uncorrected refractive errors in 2004. Bull World Health Organ. 2008 Jan;86(1):63-70. doi: 10.2471/blt.07.041210. PMID: 18235892; PMCID: PMC2647357.