Em respeito a Infância… se houver!
Então, estou aqui tentando o crescimento e desenvolvimento nesta minha vidinha intrauterina. Sou muito, muito pequena. Tão pequena que ninguém sabe de mim. Minha Mãe também não sabe que existo, ela foi violentada numa noite de festa, durante um estado de alcoolização. Se foi provocada por terceiros, isto é difícil de saber.
Naquele dia havia muito fumo. Todos os tipos de fumo e uma vasta quantidade de outras drogas. Existe muita droga por aí. Somente o que é apreendido, já é muito…
Fui gerada numa droga de ambiente… num ambiente de droga…
Será que isto pode ser chamado de prazer? Eles chamam! Ou, o que será que foi mesmo?
O que deve induzir as pessoas a buscarem este ou algum tipo de estado de euforia? De satisfação? A busca pelo prazer a qualquer custo? Geralmente custa muito. Algo como um duelo com a vida, ACHO!
Será depressão? Este estado de “drogadição”, parece mesmo depressão. O sujeito fica viciado na depressão!?
É tão confuso, que eles também não sabem que não sabem.
Bem, voltando a minha vidinha.
Ignora-se minha paternidade… Um dos festeiros, será meu Pai, se ele quiser!
De tão drogado, será que ele sabia o que estava fazendo? Será que estava consciente da existência dele próprio? Ele, meu Pai, não deve lembrar nada de tudo o que aconteceu.
Eu aqui sem qualquer proteção, sem pai e mãe estuprada…
Estou bem apreensiva. Quando minha Mãe ficar sabendo, não sei o que será de mim… Nem o que será dela. Sozinha, ou melhor, “só, nós dois; enfim sós!”.
Parece aquela antiga chamada de socorro: SOS.
É quase certo que irão “me tirar”… Irão me tirar daqui “de qualquer jeito”. Afinal, ela é “dona do corpo dela”. Este é “o argumento”.
O corpo dela “é dela”. Mas, e o meu corpo?…
Quem será dona/o do meu corpo? O Ministério Público? O Ministério da Saúde? A Promotoria da Infância e da Juventude? O Cemitério? Os traficantes que ofereceram as drogas? O COMDICA? Quem Será?
O “PIM” – Primeira Infância Melhor, talvez não seja exatamente o meu caso.
Aquela frase: Esta criança não terá infância, me cai bem…
Roni Quevedo – Médico.